Polifonia Visual by Washington SIlvera

Washington Silvera parece sempre estar na criação de um novo mundo, um novo tudo. Curitibano inverso apresenta com sisudez de trabalho acadêmico reflexos de tom lúdico e bem humorado sobre o que sabemos e entendemos ser do cotidiano nos assuntos e objetos dos homens. Uma estranheza seguida de reconhecimento do trivial que lhe faz pensar, sorrir e questionar. Sobretudo nos traz a vivacidade dos objetos inanimados, entre histórias reais, como a de Dock Ellis, jogador de beisebol profissional americano, que em 1970 jogou um “não-rebatedor” (no hitter), uma conquista rara para um arremessador, feito realizado sob a influência do LSD (uma potente substância alucinógena), onde com um taco e inúmeras bolas em um todo ilustra a imaginação ilusória, ou mesmo para a sutil criação onde conchas surgem de sonhos dos seres imaginários como vindos de Jorge Luis Borges, e com tanto, produz um efeito que nos chama e fala alto dentro do que já conhecemos, nos faz jogar com o improvável. O simbolismo do objeto sempre existirá, e Washington navega firme na representação da inquietude do que já há e está, dono de sua própria polifonia, sua própria textura sonora específica.

Ah!

Que venha o som!